sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Busco inspiração nos vestígios de ti que ainda perfumam o meu corpo































Busco inspiração nos vestígios de ti que ainda perfumam o meu corpo. Teus acordes, teimosamente dançam boleros em meu coração, avivando notas e compassos. O céu, esparramado de estrelas, focaliza-me sob a lente dessa saudade invasora que me veste.
A lua, parceira e cúmplice de nossas entregas, compactua com a minha solidão...os sons da noite silenciam, reverenciando minhas lembranças. Uma lágrima me acompanha...depois outra e mais outra. Pranto silente de quem vagueia insone entre duas taças de vinho, sorvendo tuas últimas palavras...meus lábios passeiam pela tua taça, talvez buscando degustar os verbos que não conjugaste, as frases que deixaste adormecidas num brinde a tua sensatez.
Será a minha saudade eterna? Dias amanhecem, mas a tua sombra, desconhece o passar do tempo, o bater ritmado das horas...estás em mim, nos meus rastros de solidão, nos meus olhares perdidos que ainda insistem em te ver e em lugares do meu corpo que eu não consigo identificar.
Fomos presas fáceis nas mãos que desenham o amor...tuas nuanças misturaram-se em uníssono às minhas, produzindo tons que faziam nossas almas sorrirem. Nossos corações se refestelaram num banquete que só os nossos olhos eram capazes de sentir...não nos importávamos com o amanhã ou com o mar de espinhos que cruzávamos, para brincarmos de felicidade. Descobri-me infinita na minha capacidade de amar em todos os átimos de segundos em que tuas mãos desnudavam meu coração.
Ainda agora é nítido o som dos teus abraços nos ocasos da minha pele...gostos que se misturam em meio às marcas dos beijos que te roubei. Minhas mãos, ainda trazem o mapa da tua pele, tatuado em cores de entrega...meus lábios, ainda têm vontade dos teus, sedentos, percorrendo trilhas, criando atalhos, trêmulos em descobertas. Teus desejos, navegavam em mergulhos abissais no meu mar, quando banhava-te em minhas águas tépidas, espiando meus arrepios e acordando meus prazeres. ..
Recordações de uma história que não foi vivida no mundo dos sentidos reais, mas também impossível de ser esquecida...imagens que continuam espalhadas nas noites de luar, em beijos guardados e nos pedaços de abraços que meu coração insiste em juntar. Meus olhos guardam capítulos a escrever, estrelas a contar...

Fernanda Guimarães