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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

e podes ser-me íntimo na talha dos dedos em prece


























do anjo_______________________


que te fosse anunciação. corpo do corpo em cada ramo
de exclusiva intensidade. chama de bondade. axioma
e fragrância, urbi et orbi em texto de consequência
imediata. onde não somo mais que um fio de baba e outro
de ouro. literalmente animais perdidos à sombra do que
podia ser e não será depois de escrito o mea culpa sem ser.
perdoa-me não saber onde mora o pecado. anuncio-te
toda a pureza de um não para que em em antífrase me leias
sim e me vejas o anunciador.
faz-me flor. e flui-me em rosário e em fénix, anjo sem
abate, vuluptuosa viagem esta em que nos vigio. e se for
luxo possuir-te como anjo dispo o fascinare e podes ser-me
íntimo na talha dos dedos em prece, como se te lavrasse.

Isabel Mendes Ferreira

terça-feira, 7 de setembro de 2010

amei-te como um sobrevivente doutro mundo doutros rios

























amei-te como um sobrevivente doutro mundo doutros rios
inundada de algas e plumas restos de asas na boca turgida e urgente
eras um grito da montanha debaixo da minha pele
um tigre aceso com olhos de carvão com garras de diamante e
a mesma força do nilo numa barca à deriva.
amei-te cheia de fome e sede molhada de frutos e ervas
e os teus rins aconteciam relâmpagos vermelhos e maciços.

o tempo era uma almofada apertando a alma
os gestos eram precisos claros e lá fora a cidade era um ponto
luminoso na ponta dos teus dedos cortantes densos turvos como
as horas de fechar a porta. os olhos voaram fora de nós e aí
nos deixámos adormecer.
fiz-te uma cama de espuma e na minha boca dobraste o cabo do medo.
quando partiste levaste o verão e eu fiquei sentada bordando no ar
um castelo de beijos e um filho de luar.

Isabel Mendes Ferreira