quinta-feira, 7 de outubro de 2010







































É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exacto
e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frémito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale subtilmente, no ar,
a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto
- em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana