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sábado, 15 de janeiro de 2011
da minha janela vê-se uma espécie única de medo
da minha janela vê-se uma espécie muito rara de angústia
tem o corpo que não ousei que me fosse
usa o amor como origem da sede
e sossega-me contra o peito da alvorada
da minha janela vê-se uma espécie única de medo
chama-se eu mas diz-se tu
e por vezes nós quando prende a vida
a algo tão falível como a vida
da minha janela não se vê mais nada
ouve-se o silêncio contra mim
e chove a morte contra os vidros
por dentro como soa o fim
Pedro Sena-Lino
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coisas que me (en)cantam
à(s)
11:47
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Pedro Sena-Lino
sábado, 11 de dezembro de 2010
chegaste quando o fim sangrava dos meus braços
chegaste donde o medo tecia os meus cabelos
donde os pássaros ardiam a voz
donde só o silêncio se desconhecia
era tão larga a morte
que não se podia ver dos meus olhos
chegaste quando o fim sangrava dos meus braços
a casa soterrou-me dos teus passos
terra de mim todo
chegaste pelo coração de água da noite
quando o mistério escorre em grito pelos telhados
e Deus se desabita
chegaste tão de dentro de mim mesmo
que agora que a morte me nasce na garganta
a noite e o meu rosto são alguém
que eu próprio desconheço
Pedro Sena-Lino
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coisas que me (en)cantam
à(s)
18:23
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Ivan Lins,
Pedro Sena-Lino
sábado, 25 de setembro de 2010
e ainda é tão tarde para que morramos os dois
queria morrer contigo
não queria morrer de ti
prendi o amor nos meus braços
mas uma chuva de areia negra
cospe o meu sangue onde o coração
queria morrer contigo
contra o corpo limite do dia
arder praias onde o tempo acabava
começar Deus onde era o fim
não queria morrer de ti
a noite toda tem a espessura da perda
a boca beija o batimento da terra
o medo abraça-me
e ainda é tão tarde para que morramos os dois
Pedro Sena-Lino
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coisas que me (en)cantam
à(s)
06:04
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Pedro Sena-Lino
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
um dia a noite há-de dizer-te como o amor escrevia no meu corpo
um dia a noite há-de dizer-te
como o amor escrevia no meu corpo
lá fora o meu desejo assassina o mundo
a noite não existe porque a deixaste
no movimento de pedra dos meus braços
daqui onde estou quem te era
não se vê nada do amor
Pedro Sena-Lino
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coisas que me (en)cantam
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04:54
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